quarta-feira, 23 de maio de 2007

Saudade

Saudade
Por que, do que?
Do tempo que passou?
De alguém que ficou?
Do que perdi, não toquei?
Do que fugiu, que morreu?

Saudade,
Inutilidade
Ligada a ilusão de deter
O fluxo do rio
O ritmo da vida,
A des-razão na razão.

Saudade
Falsa criatividade
Imposta pela civilização
Observadora
Controladora
Do coração.

Saudade
Sensitividade
Que capta
a alegria do que se somou
a tristeza do que se deixou
Ficar no vazio do ar, do lar, do dar.

Saudade
De um lugar
Que está para lá
Do saber consciente
Limitante
Em que o cogito nos aprisionou.

Saudade
Frustrante
Que altera a saúde
De quem insiste
A cada instante
Em alterar o que já passou.

Cocais/2004
Heloisa Trad

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