sábado, 26 de maio de 2007

Sabedoria

Não quero saber da biografia
Apenas de uma alegoria
Em que a tristeza
Se mescle com a alegria

Não quero saber de história
Reavivar a memória
No que partiu e findou
Ou ainda nem chegou!

Não quero saber de planos
De novos desenganos
De verdades ou falsidades
De expectativas ou saudades.

Quero a lavagem da alma
Numa liberdade sem tempo,
Sem lugar, sem companhia,
Vivendo em pura sabedoria.

Cocais, maio/2007
Heloisa Trad

Fique quieto!

Silencio
Quietude
Pureza
Serenidade

Hoje
perdi-me de mim

Fique quieto
Não me tire do real
Do meu estado virginal

Cocais, maio/2007
Heloisa Trad

Estou Nua

“Viver...
E não ter vergonha
De ser feliz”...

Hoje estou despreocupada
Caminhando, sorrindo, poetificando
Mais leve, sem pressa
Sem medo, sem culpa
Sentidos alertas no agora

Estou nua, ousada
Sem ódio, sem amor
Sem ontem, sem amanhã
Sem guerra, sem paz
Sem Diabo, sem Deus.

Pronta para qualquer roupagem
Para emoções surpreendentes
Para pensamentos inovadores
E novos significados de morte
Por que não de vida também?

Ontem eu fui
Hoje eu sou
Amanha quem sabe?

Transformações podem acontecer
novo desnudamento se fazer
nova teoria surgir
novo rumo aparecer.

Não importa...
eu só quero é ser feliz!

Cocais, maio/2207
Heloisa Trad

Quaresma

Saber que a quaresma refreia
Meu lado diaba
que só quer viver inconseqüente
sem jejum, sem pecado, sem culpa

Sem medo, saltando altiva
Pela campina molhada
Sorrindo, rindo, gargalhando
correndo no vazio aberto

Dos pensamentos pensados
Dos sentimentos sentidos
Das emoções vividas
Do corpo maltratado.

Cocais, 26/05/2007
Heloisa Trad

Mar, Meu mar




Mar encaracolado
não se encarcera o amor.
Deixe-me usar
nesta noite de açoite
os peões da sorte
que no tabuleiro restou.

Saudade de alguém...  
Que me importa o frio?
Vou avançar, pegar a onda,
mergulhar de cabeça vazia
nas borbulhas de dor
e buscar o amor
que no fundo insondável
do mar bravio ficou.

Cocais, 2007-05-10
Heloisa Trad

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Lições da Morte

Com a presença da morte
aprendo que somos efêmeros

Com a morte do corpo
aprendo a fragilidade do estar

Com a morte do ego
aprendo o que é o ser

Com a repetição da morte
aprendo que a vida é eterna!

Cocais, 2007
Heloisa Trad

Filha

Hoje sei da benção que é ter uma filha
antes mesmo de estar pronta para ser mãe
ou até mesmo filha!
Yes! Entre desejos e anseios...
Nada favorece mais o cumprimento da meta.
Nada nos leva a adquirir tanta sabedoria
Entre brigas e brincadeiras
Entremeadas de amor e medo.

Tantos encontros e desencontros
Relembro neste instante aconteceram
Aqui e agora pensando em você cheia de encantos
De capacidade de planejar e executar seus sonhos.

Sozinha noite alta
Ouvindo o silêncio do universo
Único som a me acompanhar neste momento
Zunindo no meu coração ansioso
Até que para extravasar a saudade
Me ponho a poetizar para você...
Minha única e predileta filhoquinha.
A quem desejo uma suave caminhada na Terra.

Cocais, 2002
Heloisa Trad

Desejo

Desejo incasto, majestoso
Me leva já cambaleante
Em pranto, de tanto
Andar ao léu,
Sem rumo, sem prumo
Numa inútil busca

Como andarilha
Numa trilha desconhecida
Que visa a terra prometida
Que existe além da vida
Tida na Terra como Céu

Cansada, suada, passada
Insisto, persisto
No almejado anseio
Rumo à existente luz
e à promessa de paz
Que jaz na palavra
De antepassados fortes
Alento de desalentos

Cocais, 2006
Heloisa Trad

Verdade ou Mentira

Verdade ou mentira
Verdade verdadeira
Mentira mentirosa
Mentira verdadeira
Verdade mentirosa

Ilusão, desilusão
Sonho, realidade
Adormecido, acordado
O que diferencia o quê
A não ser a palavra perigosa?

Cocais, 24/05/2007
Heloisa Trad

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Cante

Na era da paciência
cante uma canção de esperança
E deixe que a providência faça
a sua alternância

Caia na ribanceira
E role frouxa de risos
para lavar a alma
de toda e qualquer lembrança

Seja apenas criança
Solta, leve e sem pejo
De ser mulher-menina
Sedenta de seu parceiro

Cocais, maio de 2007
Heloisa Trad

Crescendo

Hoje sou uma
Amanhã outra
Depois a mesma talvez

Gosto do branco
Depois do preto
E fico com cinza

Caminho em frente
Volto atrás
Retorno, avanço e paro

Sou assim
Constantemente inconstante
Crescendo enfim ...

Cocais, 07/05/2007
Heloisa Trad

É Tempo de Celebração

É tempo de Natal,
do nascimento de Jesus, o Salvador, a santidade nesse mundo,
o Filho de Deus tal como Ele O criou,
símbolo do renascer de Cristo
– o Unigênito de Deus ou a totalidade da Filiação – em nós.
Jesus, que viu o falso sem aceitá-lo como verdadeiro.
Que demonstrou a impossibilidade de matar o Filho de Deus.
Que demonstrou que todos os nossos “pecados” foram perdoados
porque não passavam de sonhos, num mundo de ilusões.
Jesus, a manifestação do Espírito Santo,
deixou de ser um homem, para ser Um com o Pai.

Celebra pois nesse dia 25 próximo a visão que nos deu Jesus,
o primeiro a completar a sua parte na expiação
– o desfazer da separação –,
do caminho, da verdade e da vida!
Celebra o terreno que Ele, que viu a face de Cristo
em todos os demais homens, preparou.
Celebra as sementes que Ele, que se lembrou de Deus, lançou.
Celebra não pelo número de presentes recebidos
ou pela quantidade de pessoas ao teu redor,
mas pelas vezes que o perdão corrigiu seu próprio caminhar.
Celebra não uma festa de comes e bebes,
Celebra o Amor - o que eu sou, o que tu és...
O Filho Amado e Eterno de Deus.
E fique em Paz!
E mais... faça de todos os seus dias um dia de Natal.
Um dia de harmonia com Deus.

Cocais, dez/2006
Heloisa Trad

Poesias

Eu escrevo poesias
Que são verdadeiras heresias
Espelhando dores, conflitos:
Angústias nem sempre compreendidas
De um morrer ainda não corporalmente vivido
Ou um permanecer aqui desconhecendo o porquê.

Eu escrevo poesias
Querendo exaltar a beleza da flor
A constatação do amor
E a presença da cor
De cada momento vivido ou quem sabe
Apenas alienada num sonho paradoxal.

Eu escrevo poesias
Para falar de mim... para falar de Você...
Sem conseguir distinguir bem
Onde começa o Eu e onde começa o Você
Mas sabendo que para conhecer Você
Faz-se mister me conhecer.

Eu escrevo poesias
Numa tentativa de encontro
Tarefa difícil – talvez até impossível –
Tentando dar sentido ao sem sentido
A ilusão do real no irreal
Do Nós, no aqui e agora.

Cocais/2004
Heloisa Trad

Chuva

Chuvinha boa
Garoa gostosa
Exalando cheiro de mato
Capim-cheiroso
Que reluz fulgoroso
Campina verde
Que se perde
Na imensidão de
Meus olhos úmidos:
- garoa do céu.

Chuvinha fria
Que me resfria
Mas também me livra
Do calor exagerado
Que traz um cheiro azedado
Da fadiga geral
Do viver acorrentado
Neste mundo da forma
Num corpo frágil:
- mistério sob véu.

Chuvinha amiga
Sonora, lava minha alma
Seca minhas lágrimas
Alimenta, sedimenta
A plantinha querida
Verde-vida
Que brota dinâmica
Rumo aos raios do Sol
Viçosa, harmoniosa
- esperançosa como eu.

Cocais/2004
Heloisa Trad

Silêncio

Silêncio que alucina...
Silêncio que mina
O gozo estranho da fala.

Silêncio que justifica...
Silêncio que intensifica
O vazio angustiante do agora.

Silêncio que ilumina...
Silêncio de possibilidades, morte-vida
Do ser no seu vir-a-ser.

Silêncio que acalenta...
Silêncio d'alma no sonho lembrar-esquecer
Até o despertar final do seu adormecer.

Cocais/2004
Heloisa Trad

Canto Lírico


De minha alma jorra
Um canto lírico, sofrido e profundo
Que como um grito explosivo
lança sons a esmo...
Machucando os passantes.

Sons que ecoam incompreensíveis
Na limitada mente humana.

Sons que falam forte,
Que calam o desconhecido que assiste
Para lá de qualquer som audível
-Essa tragédia -, para mim sem nenhum sentido.
Mas, que em alguma platéia do horizonte perdido,
Em cujo espírito o não-eu se encontra,
Faz sentido o sem sentido.
O amado e o desaparecido.

Cocais /2004
Heloisa Trad

Distante Amor

Coração dividido, dorido,
Esticado como corda de violino
Que se lança ao infinito
Numa jornada insana ligada a você,
distante amor– meu amor –
que não nasceu com seu nascimento
que não findou com seu desaparecimento
Que é um indício – traço único –
Que me recorda a todo clivante momento
Que eu sou eu e você é você,
Mas que bem distante deste limitante instante
Milagrosamente unos
Você é eu e eu sou você.

Cocais/2004
Heloisa Trad

Fim de Tarde

Fim de tarde...

Nos raios dourados do sol
Reflete-se
A cor,
a dor,
o amor,
Que permeia tudo
que floresce,
que cresce,
A partir do meu respirar
Suave,
Sem medo,
de deixar ser o que estou.
Sem peso,
por deixar seguir o que foi.
Sem pejo
de me deixar ficar onde quero.

Na calma,
do ser que eu sou,
do ser cuja fé
está no Ser,
além do ter
que o poder
já não consegue reter.

Cocais/2003
Heloisa Trad

Filhoquinha

sinto sua presença
sinto sua falta
sinto você muito distante...
não de quilômetros
e sim de uma ausência
no não querer compartilhar
seus dias,
suas alegrias,
suas tristezas,
seus amores,
seus sonhos,
suas desilusões
e sensações...

por que sou mãe
ou de outra geração,
por que palpito
ou não consigo,
deixar bem claro
que você mora
no meu coração?

menina linda
estou com você
para o que der e vier
pensando igual ou não

menina linda
apoio você
como quando pequenina
apenas porque AMO VOCÊ!

Cocais/2004
Heloisa Trad

Quem Sou Eu?

"Quem Sou Eu?
Se eu me pergunto,
para este Eu que me pergunta,
Eu mesmo respondo:
- É a única pergunta que me vale a pena ser feita
e a única que jamais me é respondida,
pois EU mesmo não tenho dúvidas nenhuma!"

Quem Sou Eu?
Eu Sou o Caminho,
e o Caminhante.
Eu Sou a Verdade,
e o Conhecedor da Verdade.
Eu Sou a Vida
e o Experenciador da Vida.
Eu Sou Quem?- Eu Sou Eu!
Eu Sou o Que?- Eu Sou Eu!
Eu Sou e Tudo o que É,
Eu Sou Um.
Eu Sou o que Eu Sou.
Eu Sou Aquele que É.
Eu Sou Aquele que Sou.
Eu Sou o que É.
Eu Sou o que Sou.
Plenitude? - Eu Sou!
Vacuidade? - Eu não Sou!
Mas, mas como só Eu Sou,
então Eu Sou!
Eu Sou Tudo. Eu Sou Nada.
Eu Sou o Mar. Eu Sou a Onda.
Eu Sou Eu. Eu Sou Você.
Eu Sou como Deus me criou.
Eu Sou o Pai. Eu Sou o Filho.
Eu Sou Eu!
Eu Sou o Amor.
O Amor é tudo que Sou.
E tudo que É Eu Sou.

***
Palavras UCEM:
"Eu sou espírito, um Filho Santo de Deus, livre de todos os limites, seguro, curado e íntegro, livre para perdoar e livre para salvar o mundo."

Cocais/2007
Heloisa Trad

Margaridas


Margaridas,
como tolas, perdidas,
medidas, vendidas,
no mercado das posses.

Margaridas,
dão sentido a quantos procuram,
na sua harmonia primitiva,
a Coisa perdida no seio da vida.

Margaridas,
que enfeitam e aceitam
ornar a horda
daqueles que matam
desejos, anseios,
em troca do sim, sem coerência,
em troca do não, a existência,
paciência! Ciência sem consciência...

Margaridas
que encantam poetas:
artistas da arte de viver,
que não se mimetizam
na metrópole vazia de luz,
no mundo que apenas produz
o desconhecimento crônico,
de si mesmo ...

Cocais/2003
Heloisa Trad

Para Luiza


Eu queria escrever um poema
E surgiu uma oração
Por ti menina do meu coração!

Senhor, no silêncio deste anoitecer
venho pedir-te a benção para a Luiza.
Quero vê-la fitando o mundo
com a Luz Divina nos seus olhos puros.
Que seja sempre mansa, paciente e bondosa
vendo além das aparências, amorosamente,
como Tu vês cada um de nós.
Cerre, meu Pai, seu coração de toda a mágoa.
Guarda sua língua de toda amargura.
Que sua face transmita fé e alegria
a partir de um coração leve e uma mente sábia
conectada a Sua Mente, Senhor.
Que sua alma irradie esperança em dias melhores
e que Sua Força, meu Deus, a ampare a cada passo,
para que ela revele a todos a Tua bondade e beleza.
Pai, peço-Te também que abençoe os seus pais
para que tenham Amor suficiente e lhe ensinem
compaixão e perdão ao guiarem seus passos.
Senhor, nesse raiar de Sol
que é a chegada de minha neta à Terra,
agradeço a graça
de termos entre nós a bem-aventurada Luiza,
um espírito de Luz
para a realização da Tua Glória.
Amém!

Cocais, maio/2004
Heloisa Trad

Nuvem Branca

Queria fazer rimar
Ser artista, ser poeta
registrar a nuvem branca no ar
Que faz o contraste
Do azul do céu com o azul do mar.
Do falar com o calar
Que me levam a lembrar de você.

Queria poder cantar
Para ninar seu sono único
Um ressonar suave
qual nuvem branca
de desvanecer fugaz
Que só me traz a efemeridade
Ao querer eternizar você.

Queria poder pintar
Seu sorriso franco,
Que ilumina
Como nuvem branca, o céu
Para os meus olhos turvos, o véu
Que dificulta a minha visão
Na busca que faço, sempre, de você.

Cocais/2003
Heloisa Trad

Saudade

Saudade
Por que, do que?
Do tempo que passou?
De alguém que ficou?
Do que perdi, não toquei?
Do que fugiu, que morreu?

Saudade,
Inutilidade
Ligada a ilusão de deter
O fluxo do rio
O ritmo da vida,
A des-razão na razão.

Saudade
Falsa criatividade
Imposta pela civilização
Observadora
Controladora
Do coração.

Saudade
Sensitividade
Que capta
a alegria do que se somou
a tristeza do que se deixou
Ficar no vazio do ar, do lar, do dar.

Saudade
De um lugar
Que está para lá
Do saber consciente
Limitante
Em que o cogito nos aprisionou.

Saudade
Frustrante
Que altera a saúde
De quem insiste
A cada instante
Em alterar o que já passou.

Cocais/2004
Heloisa Trad

Luiza

Aniversário é uma data
para lembrarmos de viver
intensamente a vida.
Os presentes que ganhamos
são somente para pontuar
que pessoas são presentes
que dão significado ao presente.

Tem belíssimos presentes
que não duram quase nada
outros são mais duradouros...
Todavia eterna é a alegria
de receber amorosa energia.

Ofereço a você menina Luiza
a celebração de ser Quem É:
a Filha Amada dos pais terrenos,
do Pai do Céu, e ...
da vovó, sua grande fã!

Acesse sua memória sempre
que precisar de aconchego
trazendo a mente este "niver"
como um instante santo
de incondicional e eterno amor.

Cocais, 18/05/2006
Heloisa Trad

O Primeiro

Você é o filho primeiro
a primeira promessa,
de três outras promessas
de uma mãe - como outras mães
que, pode ir ao êxtase
ou ser jogada na frustração.
Você é o mais velho, primeiro
a despontar altaneiro
para outros, exemplo
que pode tê-lo levado muitas vezes
a ser o último
na regalia e premiação.
Você é o sonho inédito
expectativa concreta
de pai-mãe marinheiros
em viagem inaugural
de família planejada
no amor e na ilusão.
Você é o real atingido
filho amado e querido
com um ninho agora formado
a espera de seu mais velho
ou melhor, do primeiro
desejado por seu paizão.

Cocais/2005
Heloisa Trad

O Perdão e a Perda

Quem perdoa, doa e tem perda.
Perda da mágoa, da raiva, da culpa
perda do ressentimento, do sofrimento
e do medo...

Quem perdoa, doa e tem ganho.
Ganho do milagre da expiação,
da expansão do Amor,
da salvação...

Perdão é doar e perder.
Perdão é perder e ganhar.
Para um milagre acontecer
e o Filho de Deus aparecer!

Meus irmãos - Filiação Divina -,
perdão para mim, para vocês
para que a des-ilusão - a perda -
depressa possa se estabelecer.

A Vigília da Mente
O per-dão, perda e união
É o princípio da expiação
Para o milagre, a cura, a Salvação.

"Varrendo a estrada de retorno ao Pai com a vassoura do perdão..."

Cocais/2006
Heloisa Trad

Beijo

Beijo você
Beijinho doce
Beijo de fel
Beijo da morte

De quem não tem sorte
Com seu consorte
Em lua-de-mel
Com ou sem papel.

Beijo de frade
Que toma parte
Na grande fraude
De amor mortal.

Beijo fraterno
Beijinho terno
Beijo gostoso
Beijo fogoso

De quem só ama
A quem consente
Em dizer que sente
Coração palpitar
qual crepitar de um fogaréu

Beijo de mãe
Que lambe a cria
Criada de si
Num amor imortal, incondicional
qual o da mãe do céu.

Cocais/2003
Heloisa Trad

Eu Sou o Silêncio

Eu Sou o Silêncio...
Cale-se, aquiete-se
Dê um salto pela fé
se entregue
e se revele em mim...

Eu Sou o Silêncio...
onde você é o amor
se livra da dore é
Quem Você É
tudo, o todo, o Senhor!

No silêncio
a expiação acontece
possibilitando a expansão
o encontro com a essência
o amor e a salvação

Eu Sou o Silêncio
prenhe de possibilidades
Eu Sou Você
a sua completeza
encontrada nessa oração...

Cocais/2006
Heloisa Trad

Início e fim

Porque existe a partida
Persiste a saudade
Porque existe a luz
Subsiste as trevas

Porque existe a fé
Resiste a esperança
Porque existe o amor
Insiste o amar

Porque faz-se história
Existe o passado
Porque ocorre promessa
Existe o futuro

Por que? Pergunto ao Sol
Pergunto à Lua
Existe a vida?
Existe a morte?

Um reinício, sacrifício
Mutação excitante
Um ir e vir tão incessante
Momento apenas
Breve instante?

E, por mais distante
Que eu veja fora de mim
Na busca do encontro marcado
É dentro que tenho achado
O eterno início e fim.

Cocais/2003
Heloisa Trad

Silêncio em Terapia

Certamente escutar
talvez falar
sigilosamente ...

No secreto
surge a revelação
do eu, do Outro ...

Se o que se ouve
é certo ou errado
não importa ...

O que vale é a confiança
Fidelidade e transferência
que permeia o encontro ...

A dor e a angústia
que aponta um sofrimento
junto a um outro que leva ao Outro ...

Traduz a cura
capacidade de desvendar
um segredo em silêncio ...

Cocais/2003
Heloisa Trad

Reflexão

Pessoas entram em nossa vida
Sem pedir licença
Bem de mansinho...
Fingindo que não.
E se apossam de nós
De nosso tempo
De nosso espaço
De nosso coração.
Sem nos dar condição de escolha
De colocar limites
Ou poder de decisão.
Pessoas saem de nossa vida
Abruptamente!
Sem perceberem os espaços vazios
Que nadificam nosso coração.
E de tudo fica como diz o Roberto:
Detalhes,– marcas profundas...
Do tempo ido, do amor perdido
Que só levam a reflexão.

Cocais/2003
Heloisa Trad

Rio

Águas que passam
Fluindo incessantemente
No leito fixo
Contornando obstáculos
Banhando continuamente
Folhagens
Sedando sedes
De animais e gentes
Em suas margens
Sempre recentes.

Como seria a riqueza do rio
Com seu leito rígido
Se não houvesse esse fluir constante
E modelador de suas águas
Que se moldam e que moldam
Que permitem no movimento
Explorador do leito do rio
Enriquecê-lo transportando coisas
Permitindo a desova de peixes
Contornando pedras
Lavando diversas sujeiras
Banhando corpos
Refrescando almas
Mostrando o reflexo do eu
Como um espelho incorruptível?

Cocais/2003
Heloisa Trad

Pés

Pés de bailarinos,
pés de camponeses,
pés de gueixas,
pés de bebês,
pés de pavões,
tantos pés,
tantas possibilidades de direção,
de vitória e de frustração.

Pé que pisoteiam,
que escalam,
que chutam,
que correm,
que tropeçam,
tantos atos,
tantas oportunidades de utilização,
de prazer e de insatisfação.

Pés que pisam firmes,
que mal tocam o solo,
que saltam leves,
que correm rápidos,
que marcham fortes rumo à morte,
que ficam tolamente atolados,
que são muitas vezes acorrentados,
sem nenhuma opção.

Pés que oscilam
entre a coragem e o medo,
entre a determinação e a inércia,
entre uma via ou outra
nas várias encruzilhadas da vida,
tantos modos,
tantas possibilidades de escolha,
de destruição ou de criação.

Pés abençoados,
que sustentam o pesado corpo,
ainda que feridos, cansados,
em jornadas infindas.
Pés por vezes doridos,
grossos e sofridos,
mesmo assim se arrastando,
carregando o peso da vida.

Pés com muitas histórias,
marcados por fraturas
em locais impensáveis
diante das surpresas vividas.

Pés suados, calejados, apertados,
que rejeitam os sapatos - formas cruéis -,
que procuram cumprir os desígnios
apontados pela sociedade formal.

Pés andantes, determinados, respeitados
pelo vigor com que encaram
tropeços, tombos e recomeços
do corpo e da alma na trilha elegida.

Pés ágeis que andam e que param
dando ao caminhante a chance de reavaliar a rota
superando dificuldades, remorsos e saudades
para um novo e melhor porvir.

Pés sensíveis que orientam o pisar,
permitindo ao viajante diferentes escolhas,
ao apontar pedregulhos ou pétalas de rosas,
conforme sentem as formações do caminho.

Pés que recuam, chutam o balde,
se desequilibram, se reequilibram,
abrem novas possibilidades,
novos caminhos e novo caminhar.

Pés que se refrescam nas águas da fonte
- pura carícia relaxante !
que irradia grande frescor a todo o corpo
animando o prosseguir na jornada da vida.

Pés frios, pés quentes,
que gostam de serem acariciados
e que acariciam as pernas do amado
ou, quando frios, dão um azar danado.

Pés, objetos de amor e poder,
alucinam fetichistas,
podendo levá-los a um gozo vazio
na solidão do viver.

Pés lavados pelas mãos de Jesus
com amor, num exemplo de servir
– o verdadeiro objetivo do ser,
que eles tanto ajudam a acontecer.

Cocais/2003
Heloisa Trad

Formatura

Qual madrugada
- prenuncio de um novo dia -
traz medos
inseguranças
possibilidades
escolhas e
responsabilidades a
seres em transitoriedade
que num momento de seriedade
se comprometem a ter amor pelo seu fazer.

Mas, buscando existencialmente
fazer, para mais ter do que ser
terminam nessa busca do ter
a um fazer com desamor
a um ter sem ser...
A forma é sua
a escolha é sua
Busque...
Isso não é? - troque.
Ainda não é? - de novo, troque!
E procure dar
vazão a proposta primordial
do Ser
transformando o fazer
no ter para realmente ser.

Cocais, 2002
Heloisa Trad

Generosidade

Generosidade,
- somada à justiça, faz-se eqüidade -.
Virtude do Dom
Na relação com o outro,
Subjetiva, singular e afetiva...
Mais espontânea e efetiva.

Generosidade,
- somada à compaixão, torna-se benevolência -.
Dom raro nos seres,
nos livros e nos atos cotidianos da existência.
Um ofertar o que é de quem oferece
E falta ao outro.

Generosidade,
- somada à misericórdia, vira indulgência -.
Hábito do bem.
Capacidade de querer e portanto de dar
Pela vontade de agir solidariamente,
No contentamento que ela produz.

Generosidade,
- somada à coragem, pode ser heroísmo -.
Que eleva a um ser em direção ao próximo
E em direção a si mesmo
Liberto de seu pequeno eu.
Livre de medos, do desejo de posses, poder e fama.

Generosidade,
- somada à doçura, se chama bondade -.
Desejo fraterno de partilha
é a própria alegria
que leva o generoso a se regozijar com o dar
e a amar pelo menos nele esse amor do amor.

Generosidade,
- somada ao agir, é possibilidade de felicidade -.
Onde estás?
Varrida da vida como qualidade perdida
Que não se encontra mais no calor das relações
desumanas, insanas, atuais...

Generosidade,
- desaparecida da horda é valor utópico -.
Difícil encontrar nos dias de hoje
Um agir tão desprendido num mundo sofrido
Perdido em egoísmo, competição,
Consumismo, violência e degradação.
Onde cada um busca apenas ser atendido
Sem ouvir o que lhe é pedido
Com um pouco de atenção.

Generosidade,
- prodigalidade rara que torna-se falta -,
naqueles que matam seus desejos
em troca do sim sem coerência,
naqueles que dizem não à vida sem ciência
na metrópole vazia de luz
que apenas produz anseios e receios
na alma que vaga solitariamente
no mercado das posses que a nada conduz.

Generosidade,
- ponte entre magnanimidade e liberdade -.
Construção possibilitada
numa análise terminada.
Revelação alcançada
na consciência das próprias potencialidades,
na confiança nas escolhas tomadas,
com disposição de assumir responsabilidades
Ante uma ação ética por puro amor...

- Relação almejada!

Belo Horizonte/1997
Heloisa Trad

Mãos, tantos tipos, tantos atos

Mãos
brancas
pretas
pequenas
grandes
gentis
rudes
frias
quentes
secas
úmidas - tantos tipos!

Mãos
que acariciam
batem
dão vida
curam
abençoam
matam
semeiam
colhem
constroem
destroem - tantos atos!

Mãos másculas, fortes
constroem casas
defendem os seus
alimentam o fogo
do fogão, do coração amante.

Mãos femininas, delicadas
limpam lares
dão conforto e beleza
num trabalho de cama e mesa
para a alegria da família.

Mãos infantis, macias
que buscam o peito da mãe
a mão forte do pai
e apontam para uma estrela
Numa admiração ingênua da vida.

Cocais/2004
Heloisa Trad

Mãos... mãos

Mãos
que aparam o recém nascido
na sua primeira respiração na Terra
Mãos que preparam e levam
nosso frágil corpo morto para a Mãe Terra
jogando uma pá de terra num até logo ou num a-Deus.

Mãos
que matam a cobra que vai dar o bote
e o frango que nos sacia à mesa
mas que também mata cruelmente o seu semelhante
comandadas a partir da ignorância
da necessidade, do ódio e da ganância.

Mãos
que embalam o bebê que chora
que amparam o velho que cambaleia
que se abrem num pedido de esmola
que estendem uma contribuição esperada
que acenam adeus a qualquer hora.

Mãos
que se entrelaçam com outras mãos
permitindo uma união fortalecedora
para que mais e mais mãos humanas
produzam úteis e diferentes obras
sob verdadeira inspiração divina.

Mãos
que curam corpos doloridos
que benzem e abençoam os necessitados
afagam os desenquietos, atordoados,
enfermos de mente, de corpo ...
crédulos, incrédulos, amados, odiados.

Mãos maldosas... Mãos misericordiosas...

Cocais/2004
Heloisa Trad

Mãos de Cocais


Mãos rurais,
mãos artesanais,
mãos de Cocais,
mãos de Minas,
que criam o belo e o bom,
com sensibilidade e habilidade
- expressão artística de cada um -
dom dado por Deus!

Unamos nossas mãos gentilmente,
cooperando sempre sem competição.
Façamos do Núcleo dos Artesãos
um espaço de venda e exposição,
para as diferentes criações
que alimentam corpos e espíritos ,
com as belas obras fabricadas
pelas nossas abençoadas mãos.

Mãos que transformam
retalhos, em coloridas colchas.
Linhas, em ricas toalhas de banho e mesa.
Cordões de algodão ou juta, em belos tapetes.
Lãs, em agasalhos que aquecem corpos.
Meias de seda, em delicadas flores.
Taquara, em cestos toscos,
forros de telhados e peneiras.

Criam do bambu, sonoras flautas.
Das espigas de milho, gostosas broas.
Das suas palhas, diferentes bonecos.
Das frutas, geléias, compotas e licores.
Do chocolate, bombons tentadores.
Do leite, iogurte e queijo frescal.
Da cana, garapa, melado,
açúcar, rapadura e... pinga!

O barro vira jarros, panelas e esculturas.
A madeira, móveis e papéis.
O ferro, utilidades e adorno de casas
- tantas transformações de sonhos em realidades,
que alimentam seres de todas as idades.

Cocais/2003
Heloisa Trad

Mãos de luz

Mãos pequenas, magras, delicadas, artísticas,
poupadas de trabalhos difíceis
Mãos grandes, grosseiras, rudes, autômatas,
desgastadas por muitas tarefas pesadas .

Mãos que criam objetos úteis e inúteis
Agradando e desagradando a muitos
No seus sonhos de produzir o belo
Ou apenas para um consumismo tolo.

Mãos que bordam, pintam, moldam
Retratando cenas da vida
Reproduzem a beleza das flores
Ou transformam a matéria-prima da terra.

Mãos que tecem e tricotam
Agasalhos protetores
Que costuram o vestuário da moda
Ou as toalhas dos altares das igrejas.

Mãos que produzem pequenas peças
Satisfazendo diferentes desejos
Nem sempre elogiados, muitas vezes criticados
Mas mantendo seus ideais de criação à solta.

Mãos como diferentes ferramentas
reciclam materiais considerados inúteis
Instigando utilidades em formas inusitadas
Verdadeira arte, do lixo ao luxo.

Mãos que desenham, que escrevem
Que registram a história e que fazem estórias
Que enriquecem as estantes e as mentes
daqueles que têm sede de saber.

Mãos que retratam poeticamente
Um pingo d’água na folha de inhame
Como o mais brilhante diamante do mundo
Mãos amorosas, mãos de luz!

Cocais/2003
Heloisa Trad

Carros e Carros

Carros, extensões de nossos membros
Para transporte de carga e gente
Por necessidade ou puro prazer.

Carros que despertam emoções diferentes
alegria, medo, irritação, relaxamento e poder
De passear, andar e desvairadamente correr.

Carros antigos, futuristas, preciosidades
Para o aficcionado se exibir, exercer controle
Metáfora da direção da própria vida.

Carros brancos, pretos, prateados,
Azuis , amarelos, dourados
Despertam sonhos acalentados
A muito tempo, por jovens apaixonados.

Carros esporte ou de passeio
Para homens e mulheres competentes e incompetentes
De diferentes desejos e personalidades
Que se afirmam ao volante, independentes.

Car, primeira palavra de uma criança
Vermelho como sangue, excitante
Ferrari, da Itália, instigante
Desejado como prêmio de vencedor
Ainda que pilotado na pista de um autorama.

Carros reluzentes os de Henrique
Diversos, anuais, atuais,
Desfilam num eterno renovar
De experiências e exigências
De um menino... desejo a realizar!

Heloisa Trad
Cocais/2006

Amor

Amor sentido amor
Na dor
Sem calor.

Amor perdido amor
Na desilusão
Da paixão sem cor.

Um desencontro
Entre eu e você
Não era de amor ...

Amor dá sentido a vida
No Planeta Terra
De muita água e terra fértil
às vezes, árida e hostil.

Amor dá sentido a morte
Além do sonho aqui sonhado
Ao despertar para a Fonte
De amor do amado amante.

Amor
Que aproxima elétrons
Deixando na dança cósmica
O pulsar vibrante
O propósito de estar
Transitoriamente iludida
De que a felicidade foi perdida.

Heloisa Trad
Cocais/2005

Deus é

Deus existe?
- Não sei. O que você quer?

Se Deus existe, ele é bom ou mau?
- Não sei. O que você quer?

Se Deus não existe, a morte é um fim?
- Não sei. O que você quer?

Se Deus existe, eu vou para o céu ou para o inferno?
- Não sei. O que você quer?

Se Deus não existe, qual o sentido da vida?
- Não sei. O que você quer?

Se Deus existe, por que do Diabo?
- Não sei. O que você quer?

Se Deus não existe, que mundo é esse?
- Não sei. O que você quer?

Se Deus existe, o que é o Amor?
- Não sei. O que você quer?

O que você quer Deus é.
O que você quer que seja é.
Você é.
Deus é.

O que mais você quer?

Heloisa Trad
Cocais, 07/05/2007

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Lembrança de Frost

“A mata é linda, escura, infinda e
eu tenho léguas a percorrer
e promessas a cumprir antes de dormir.”

Robert Lee Frost

Um longo caminho a trilhar
Em busca da alegria, da paz e do amor
Procurando compreender o incompreensível
Seguir evoluindo no próprio caminhar
Sondando o mistério a ser desvendado
O UM formado por meu Eu e meu Deus.

Que as forças não me faltem
Que a perseverança permaneça
A idealização sempre aconteça
Superando medos e outras dificuldades
Que possam impedir o cumprimento da promessa
De encontrar Quem Sou Eu.

Adormeço... novamente, me levanto...
Olhando para interior da mata a procura de luz
De expiação e salvação no viver desse novo dia
prosseguindo na meta traçada por mim
nem sempre clara na mente em que o espírito
muitas vezes se perde nos desejos do o ego.

Mas continuo persistentemente o caminhar
Eu, peregrina do inóspito mundo das ilusões
Pois tenho um caminho a percorrer
Correções, através do perdão, a fazer
Aprender-ensinar-aprender
antes de pra Casa do Pai voltar!

Cocais, 2006
Heloisa Trad

Até


dormir
sonhar
até você voltar

sorrir
amar
até você partir
chorar
quando você acenar
e a solidão se instalar...

Cocais, 2007
Heloisa Trad