terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Velas


luzes
volúveis
como a paixão
- fogo ardente -
se consomem...
se apagam...

vermelhas
brancas
tantas cores
parafina finita
chama reluzente
perene, fugaz...

vento leva
sopro apaga
pavio se extingue
o breu a tudo abarca
mais uma vida se finda.

Cocais, fevereiro/2008
Heloisa Trad

Dia virá

um outro dia virá
uma outra noite talvez
e esse momento será
uma hora, um instante,
até que seja de vez

Cocais, fevereiro/2008
Heloisa Trad

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Nome


nome, uma palavra,
uma palavra vazia
sem significado real

nomear alguém ou alguma coisa
se iludindo que há valor no sem valor
gera atraso, angústia e dor

dar significado ao inexistente
é estar amarrado pela delusão do conhecer
formando conjuntos de nomes vazios
como imagens de ídolos
que nada mais são que aparições
do criativo ego temente de morrer

a Não-forma é a Real forma
a Existência não tem marcas
a Verdade é inominável
nome? Só no mundo tríplice
efêmero como um sonho sonhado
que se desvanece no alvorecer

Cocais, fevereiro/2008
Heloisa Trad

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Livro


livro
permeia minha vida
me remete a pureza
da minha verdadeira
natureza

Cocais, fevereiro/2008
Heloisa Trad

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Dor, Verdade, Amor


a Verdade não existe
a verdade é de cada um
há verdades e verdades
desigualdades
afastamento entre
valor do Real ...
e real sem valor!

a Dor não existe
a dor é de cada um
que introjeta o desamor
um grito em silêncio
onde verdade e dor
ficam abafadas ...
solitude sem amor!

o Perdão existe
o Perdão é libertação
fim da busca e da dor
um encontro com a Verdade
- um saber maior -
que não há nada a perdoar
no coração de Quem Eu Sou.

Cocais, 15 de fevereiro de 2008
Heloisa Trad

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Helena


Helena
você é luz
que aqui está para brilhar!

Torne o seu viver
num espetáculo único,
com determinação,
entusiasmo,
amor!

Não se deixe vencer
pelo cansaço,
medo,
desânimo
desamor!

Aja intensamente
no palco,
no estádio,
na direção de um veículo,
na cozinha,
no salão,
no escritório,
escrevendo poesias ...
tratando de bicho gente ou não.

O seu fazer será efêmero,
mas o como fizer deixará uma marca,
que determinará a intensidade
do seu reluzir no céu infinito
como uma estrela de primeira grandeza.

Helena
onde quer que você esteja
vibre amor que é o alimento da estrela
chegando onde os seus sonhos chegam.

Sorria! Ame a vida!
E deixe sua luz irradiar livremente
Porque onde cintila uma estrela
aí nasce o menino Jesus ...

Cocais, fevereiro/2008
Heloisa Trad

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Aguar


eu amo água
do mar que ondeia
da chuva que cai
dos plácidos lagos
das voluptuosas corredeiras

água corrente
pingo d'água
poça d'água
poço d'água
espelho que não mente

lágrimas de alegria
lágrimas de tristeza
rolam cristalinas
umidecem a pele cansada

gota d'água
na folha de inhame
diamante radiante
reflete a luz do ser

água salgada
ondas gigantes
maré rasante
areia escaldante
onde lavo minh'alma

água doce
corre intermitente
alimentando seres
levando seixos
saciando a sede

água... água....
que sou
que quero
que dou
aguar eu vou!

Cocais, fevereiro/2008
Heloisa Trad

Nota: Minha avó dizia, "bonita como um pingo d'água na folha de inhame...".

Brincando


água
amor
amora
roma
mora
mara
maravilhoso
é o mar
é o aguar
água amar

Cocais, fevereiro/2008
Heloisa Trad

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Solitude

Solitude é saúde,
positividade,
beleza,
alegria,
- é riqueza.

Solidão é doença,
negatividade,
feiúra,
tristeza,
- é pobreza.

Desconhecer a solitude
é desconhecer a si mesmo,
temer o espelho,
deixando de estar à vontade
com a própria natureza.

A solitude é um saber,
um amor por si mesmo,
puro contentamento,
num estado de paz
e preenchimento.

Cocais, fevereiro/2008
Heloisa Trad

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Somos sós




Nascemos sós
vivemos sós
(estamos sós)
morremos sós
somos sós.

Quem somos nós?

Cocais, Fevereiro/2008
Heloisa Trad

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Caminhoneiros


caminhões rodando
tráfego congestionando
levando o progresso
de lá para cá

alguns abusados
provocam acidentes
levam muita gente
para o lado de lá

monstros animados
dirigidos por rebitados
correm contra o tempo
à frente da carga pesada
atrás de dinheiro

vítimas ou algozes
no calor abrasivo do asfalto
muitas vezes cochilam
pensando em alguém

o poder do volante os seduzem
homens maltratados, suados
seguem uma rota
mas não têm um destino

Cocais, fevereiro/2008
Heloisa Trad