terça-feira, 26 de junho de 2007

Falar e ouvir

Pior do que não falar
é dizer por dizer.
É fingir entender o que ouve.
ou deduzir o que não escuta.

Pior do que responder sem saber
é faltar com a verdade no que diz.
É trair o segredo do ouvido
ou dar testemunho falso com o dito.

Pior do que fechar-se nos pensamentos
é não mostrar os sentimentos.
É não dar importância ao que ouve
ou falar compulsivamente.

Há quem com os olhos fale,
com pequenos gestos se expresse.

Há quem use o silêncio para que outro se cale
ou que fale silenciando o ouvinte.

Cansei-me de falar.
Cansei-me de ouvir.

Agora nada tenho a dizer... silencio!

Cocais, junho/20067
Heloisa Trad

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Experiência amorosa

“De mim nada resta a não ser o
nome; todo o resto é Ele”.
Rumi

Experiência amorosa eu vivo,
Eu estou, eu tenho...
Vivendo a união na desunião,
o Eu e o Tu,
uma dualidade, uma ilusão,
no reconhecimento do Amor,
que Ele é, que Eu Sou
com Ele, Nele, Dele.

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

Eu Sou Eu, Eu Sou Você

Eu Sou Eu, Eu Sou Você
Eu Sou o Que Sou.
Eu Sou Tudo o Que Sou.
Eu Sou Eu.
Eu Sou Você.
Você, o Um em Tudo,
Diga quem Sou.
Diga: Eu Sou Você.

Eu Sou Tudo o Que Sou e Tudo o Que É.
Eu Sou Aquele que está no Todo.
Eu Sou o Todo que está em Tudo.
Eu Sou Você
Você, o Um em Tudo,
Diga quem Sou.
Diga: Nós Somos a Vida.

Eu Sou. Você é. Deus é.
Eu Sou é mais do que “existo”.
Eu Sou a Divina Presença,
O Caminho, O Caminhante,
O Princípio, o Fim e a Verdade.

Eu Sou. Você é. Deus é.
Eu Sou o Atividade no Universo.
Eu Sou a Centelha Divina,
O Amado, O Amante,
O Poder de ser o Amor.

Eu Sou o Todo, o Tudo, o Um.

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

Surfista

Sou surfista sem surfar,
pegando com olhos amorosos
onda por onda
que avisto vindas do mar.

Surfista sem prancha
Navegando sobre o amor
Que tenho pelo mar
Com suas infindáveis
Nuanças de cor.

Paixão antiga,
Encantamento, magia
essa, que nutro
por essas águas frias,
salgadas, sem dono.

Carinho imenso recebo
desse colo que me acolhe,
lavando minhas lágrimas
e adoçando a minha vida,
sob um céu esplendoroso.

Deslizo por suas costas
sem pensamento, sem medo,
sem rumo... me deixando levar
ao sabor dos caprichos da nova onda,
surfando, amando, sonhando...

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

Malmequer ou bem-me-quer?

Malmequer...
bem-me-quer...
É um homem
ou uma mulher?
Você me ama?
Você me quer?

Pergunto a cada pétala,
despetalando a flor.
E pouco a pouco
esvai-se a minha dor.

Da incerteza surge
a esperança.
A última pétala é:
bem-me-quer!
Posso sonhar
que a porta abrirá
e o amor entrará...

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

domingo, 24 de junho de 2007

Descanso

Descanso permitido,
no saber do outono,
margeando inverno.
Findando estações.

Descanso merecido,
após inúmeras batalhas
em campos escolhidos, minados,
no momento presente, travadas.

Descanso usufruído,
de uma guerreira da água,
se movimentando na terra,
que agora quer vadiar.

Descanso ilusório,
efêmero – uma pausa –,
até ir, finalmente,
no real DESCANSAR!

Cocais, junho/2207
Heloisa Trad

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Filosofar, morrer e viver

Filosofar e poetisar é
me conhecer e
aprender a morrer.

Filosofar e poetar é
deixar o meu ego e
aprender a viver.

Filosofar e poetificar
é descobrir
o sentido da vida.

Viver, ensinar e aprender
é reconhecer quem eu sou,
é conviver com você,
sabendo que somos o amor.
E que morrer é viver!

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

terça-feira, 19 de junho de 2007

Filho do coração

Fernando,
homem, adulto, criança,
trabalhando, passeando...
Executivo de carro,
aventureiro de moto,
pelas ruas, incógnito,
sob o céu de Brasília.

Carioca meio luso,
agora candango,
sorriso radiante,
idealizando melhor vida,
com barragens, represas,
no micro, encravado na empresa
que gere da capital do país.

Fernando, engenheiro, doutor.
- postura de empreendedor.

Nando, homem, amor.
- amigo, amante, encantador.

Meu genro,
filho do meu coração,
minha benção,
nessa inspiração.

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

Tudo azul

Amando...
Amada...
velejo,
pelo mar azul,
sob céu azul...
No amor rosa.

Num barquinho branco,
ao rumorejar da água,
em meio a beijos loucos,
singrando... singrando...
acordo, adormeço, sonho.

Roxa de amor peço à Iemanjá,
que me resguarde,
de afogar nas águas,
de afogar no amor,
me perder nas ondas...

Quero aportar no além-mar,
em segurança,
suspirar dizendo:
a viaja finda...
Está tudo azul!

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

sexta-feira, 15 de junho de 2007

O que é o azul?

Azul, união do ciano e magenta,
é uma das três cores primárias
Azul - cor do céu sem nuvens com o sol alto,
Azul - cor do mar profundo em dia claro.

Esta relacionado a frieza, depressão, monotonia,
e também calma, paz, ordem, harmonia.
Pouco expansivo aos olhos humanos
tem diferentes sobrenomes:
cerúleo, celeste, safira, cárdeo,
anil, mar, marinho, petróleo.

Azul de muitos representantes,
tem dentre outros,
no mundo animal: a arara-azul,
no vegetal: a baga mirtilo,
no mineral: a substância metileno,
as gemas água-marinha e safira.

Azul é a cor da Terra vista do espaço.
Sangue azul representa a aristocracia.
E “tudo azul” significa excelência,
- O melhor do mundo -!

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

Meditação

Me aquieto, silencio...
logo caio num estado alterado,
transcendendo tempo, espaço
e separação: os limites da razão!

Vôo... logo atinjo
a graça celestial,
a pureza primordial,
do meu Ser além do ser do agora.

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Ser Vovó

Ser vovó é MUITO BOM!
tem sabor de brigadeiro,
sorvete de morango, pipoca
batata-frita e amendoim...

Uma netinha traz muita alegria,
Sapequices que são jóias,
Num corre corre de peraltices
recheado de canções e histórias
Que só uma linda-linda pode entender!

Nessa troca de bem querer,
músicas de ninar e Discovery kid
fazem a nossa trilha sonora...
Onde miles beijos podem acontecer!

Cocais, 13 de junho de 2007
Heloisa Trad

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Lúcifer

Lúcifer, Demônio, Diabo, Satanás
- a sombra!
Lúcifer, Anjos, Arcanjos, Santos
- a luz!

Luz e sombra me conduzem
Ao vale das sombras
Ao planalto de luz
Cenários da mesma peça

Meu corpo, minha alma
Acordam... adormecem...
Sempre luz e sombra
Na dualidade da Terra.

Lúcifer você não existe
É apenas meu sonho
Que na realidade não persiste
Ao término da roda da vida!

Cocais, junho/2007
Heloisa Carrió

Haddyb

O justo, que seu nome detesta
Fecha a cara e protesta
Pela integridade oculta,
Que infesta todas as classes
Da sociedade atual.

Ariano orgulhoso,
Teimoso, sensível,
Olhar esguelhado
De menino febril.

Cheio de energia, prestativo,
Inflamado às vezes,
Quando dos seus calos pisados.
Compreensivo às vezes
Quando não pressionado.

Sempre apressado,
Como em busca de algo
Pra sempre escondido
Nas dobras do tempo.

Menino querido
como chegar a você
que escapa como areia entre os dedos?
Não me deixando sequer lhe abraçar
Ou do seu silêncio compartilhar?

Meu lindo...
não se esqueça de lembrar
Que você está aconchegado,
Guardado, pra sempre, no meu coração!

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

Formosa

Formosa?
- Não, não é a ilha...
É a menina flor, Luiza,
Minha neta querida.

Pequerrucha sapeca
Alegre, carinhosa,
Esperta!
Sempre no meu coração.

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

De moto eu ando

De moto vou ao trabalho
Volto, passeio, viajo
Tomo a frente no trânsito
Corro desenfreado.

Costuras eu faço
Buraco aparece
E tombo de lado
Escoriando no asfalto.

Levanto aturdido
Reinicio o trajeto
Um tanto assustado,
Bem dolorido, do tombo levado.

Mil fechadas eu levo
Quase me mato, me matam
E mais tempo eu perco
No trânsito engarrafado!

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

domingo, 10 de junho de 2007

Solidão

Solidão, não é se sentir só,
nem estar voltado só para si.
É imaginar que está cindido,
Por estar iludido.

Solidão, não é estar calado,
nem ser silenciado.
É estar esquecido,
sem amar e ser amado.

Solidão, não é retiro espiritual,
nem isolamento forçado.
É estar amargurado,
sem perspectiva, sem amanhã.

Solidão, não é sentir saudade
Nem alguma infelicidade.
É estar carente de si, à parte
de si, no processo da vida.

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

Quero

O louco busca a razão
O sábio a felicidade
O santo a tranqüilidade
O iludido mais ilusão.

Eu busco a alegria
de ser quem eu sou,
Olhando para o céu,
olhando para a terra.

Sorrir, chorar, viver – quero!
Parecer ter - Não quero!
Ter - Também não!
Quero ser - Isso é meu querer!

Ambição em mim está presente,
Desmesurada mesmo...
Diamante me contenta? – Não.
Quero mais.. muito mais...

Quero toda a riqueza da visão
para ver a beleza contida e refletida
no pingo d’áqua na folha de inhame,
numa caminhada leve, sem rumo...

Cocais, 2007-06-10
Heloisa Trad

sábado, 9 de junho de 2007

Aposentados

Aposentada
Colocada no aposento
Sem glória
A espera
Da morte chegar.

Aposentado
Eliminado, humilhado
Sem mais chances
De honras alcançar
Nessa terrena existência.

Aposentados
Encostados
Por idade, doença,
Inativos. Nessa
terceira etapa da vida.

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

Eu Sou a Vida

Eu não sou o meu corpo
Eu o tenho
Eu não sou a minha mente
Eu a uso
A minha essência
É um sopro de Deus

Eu não morro
Eu transcendo o tempo
o espaço...
Eu não somente vivo
Eu sou a vida

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Coragem

De prosseguir, de retroceder
De parar ou alto demais voar!
De dizer sim, de dizer não...
De dizer sei, de dizer não sei...
De morrer, ou mais, de viver!

Coragem, mãe do desafio
É livre-arbítrio, escolha...
ousada ou não.
Envolvendo responsabilidade,
Riscos... determinação!

Coragem, senhora do sucesso.
Desdobra-se em tantos tipos...
Tantas diferentes posturas...
A serem tomadas, exercitadas,
Como medidas inovadoras.

Coragem, filha da vida
Antecipa-se às atitudes
Podendo ser suplantada
Por sua social “inimiga”
- a pequena grande covardia!

Covardia pode ser coragem....
Afinal, a liberdade é exercida
Nessa tomada de decisão
Nem sempre bem aprovada
Incompreendida e desrespeitada!

É notória a coragem...
De ser o que se é
De estar onde se quer
De fazer o que se pensa
Guiada pelo instinto ou pulsão!

Sim, é preciso coragem...
Para ninguém nos possuir
Para dizer e ser a verdade
Que só pode nascer e viver
A partir do próprio querer!

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

Flores

Flores que ornam
lugares diversos.
Diferentes momentos
de alegria e de tristeza,
no amor e na dor.

São tantas flores,
tantas cores,
amores e desamores
e elas estão presentes...
são presentes!


Flores murcham,

secam. Por uns guardadas são.
Muitas vezes para o lixo vão.
como toda efêmera emoção.

diante de nascimento ou morte.

Cocais, junho/2207
Heloisa Trad

terça-feira, 5 de junho de 2007

Vermelho

Vermelho do sangue
no chão espalhado
no coração coagulado
no cérebro derramado...

Nos esmaltes de unhas
nos lábios encarnados
nas vestes atrevidas
nos sapatos fetichistas...

Luzes vermelhas
de alerta, meretrício
lanternas de carros
spots de palcos...

Sem ti, só anemia!

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

Erro e Acerto

Palavras...
Apenas conceitos
Criados pela civilização
Formas de domínio
De culpa e punição
Nada acrescentam
A essência do ser
Vazio, sem solução.

Cocais, junho/ 2007
Heloisa Trad

Amor colorido

Mil cores
nos abraços, folhas e flores.

Mil amores
Entre homens, mulheres e gays.

Mil dores
nas casas, ruas e praias.

Amor colorido
Na noite, atrevido
Me afasta da dor
Me deixa senhor
da minha vida!

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad

Homenagem à José Datrino

Era uma vez um homem gentil
que todos pensavam ser senil.
Gentileza procurou espalhar
para relações mediar

Gentileza gera gentileza.
Assim falou o gentil poeta
- Um santo às vezes louco -.
Repetindo seu canto,
nos viadutos sujos do Rio.

Gentileza, o velho dizia,
De dia, de noite
Com ricos, com pobres
Com negros, com brancos
Semeando só alegria!

Cocais, junho/2007
Heloisa Trad
***
José Datrino, chamado Profeta Gentileza, (Cafelândia, SP, 11/04/1917 - Mirandópolis, SP, 29/05/1996) tornou-se conhecido a partir de 1980, por fazer inscrições peculiares sob um viaduto no Rio de Janeiro, onde andava com uma túnica branca e longa barba.

domingo, 3 de junho de 2007

Encontros

Encontros
Desencontros
Instantes
limitantes
entre o eu
o não-eu.

Encontros
em vão
em que não
ouso me ver
entender
o Ser.

Encontros
perigo
de ter
o saber
que quero
viver.

Cocais, 13/03/2007
Heloisa Trad

Páscoa

É renascimento ...
É passagem ...
É transformação ...
É descobrir ...
O ser de luz que eu sou.

É deixar para trás ilusão ...
É estar cheio de graça ...
É caminhar em nova direção ...
É saber do o amor incondicional ...
O ser de vida que eu sou.

É o aprender com Jesus ...
É perdoar a separação ...
É fazer a expiação ...
É chegar à salvação ...
O ser de amor que eu sou.

O Filho de Deus
No Amor
Como Cristo me demonstrou.
Feliz Páscoa!

Cocais, 2007
Heloisa Trad