domingo, 15 de novembro de 2009

Não me adapto



Não me adapto a parecer ser
o que não sou, quem não sou
para viver uma vida
pré-determinada no desconhecimento
da minha real identidade

há seres que acreditam saber
o que é a vida
o que são nessa vida
e vivem iludidos, perdidos
aos céus a clamar

antes não tivesse aportado aqui
acreditando num produtivo viver
e minha mente clarear
mas me vejo como dentro de um escuro túnel
sem nenhuma luz que possa me iluminar

ninguém nunca vai me entender
porque pensam que a tal vida
na estética mal ajambrada
vale a pena ser levada

as normas e as regras
que nos dizem para seguir
não me servem, não me valem
não me dizem para que estou aqui

acabo perdida no não ser
me decepciono com os iguais
que marcham em silêncio
sem nada querer saber

cabeças em piruetas
sorrisos de hienas
pés pesados,
arrastados e arrastando ao léu

a indiferença a tudo me invade
à margem, a nada me adapto
desconheço o endereço
da minha morada nesse mundo

o que buscava jamais encontrei
estou onde não sou
quero o que não tenho
me perdi nesse mundo de ninguém

eu não me adapto
e só me resta o cansaço

Cocais, março/2010
Heloisa Trad

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